agosto 20, 2026
Início»Entretenimento»Quando a vida parece cinza, Feito Pipa, com Lázaro Ramos, resgata o melhor da vida.

Quando a vida parece cinza, Feito Pipa, com Lázaro Ramos, resgata o melhor da vida.

Resumir com:
Quando a vida parece cinza, Feito Pipa, com Lázaro Ramos, resgata o melhor da vida.

Um protagonista cativante, uma avó que nutre um amor incondicional e um visual deslumbrante. Assim é Feito Pipa, filme que estreou no 54º Festival de Cinema de Gramado e que conquista tanto o coração quanto a atenção do público com uma narrativa que mistura drama, comédia, realidade e um toque de fantasia. A produção conta com um dos talentos juvenis mais promissores da atualidade.

Dirigido por Allan Deberton, conhecido por Pacarrete, o longa-metragem acompanha a história de Gugu (Yuri Gomes), um menino de 11 anos que vive com sua avó, Dilma (Teca Pereira). A relação entre os dois é marcada por uma conexão profunda. Enquanto Dilma é uma mulher cheia de vida e espontaneidade, Gugu se destaca por sua sensibilidade e criatividade, mostrando-se talentoso tanto no futebol quanto na arte da maquiagem.

Após estabelecer um forte apego entre os personagens e com o público, o filme traz um evento impactante: a separação de Gugu e Dilma, com a figura austera do pai do garoto, Batista (Lázaro Ramos), entrando em cena. Diferente da avó, Batista é emocionalmente distante, enfrentando sua própria luta com o luto da esposa falecida e a dificuldade em aceitar a individualidade de Gugu, que gosta de se vestir e se expressar de maneira livre.

Yuri Gomes, embora apenas com 11 anos, impressiona com sua performance vibrante e autêntica, dando vida a um garoto que ressoa verdade com os espectadores. A abertura do filme, onde Gugu dança sozinho, já revela um talento raro. Teca Pereira complementa este brilho ao interpretar uma avó que evolui de uma figura vibrante para alguém que enfrenta desafios de saúde, criando uma transição sutil e emocionalmente poderosa.

A dinâmica entre os dois personagens é uma das grandes forças do filme, resultando em momentos de ternura que tornam Feito Pipa uma experiência memorável e reconfortante. A obra aborda temas de resistência, memória e coragem, refletindo sobre como é ser verdadeiramente quem se é, mesmo diante do preconceito e da hostilidade.

Batista, vivido por Lázaro Ramos, não é um vilão convencional. O roteiro e a direção apresentam um homem complexo, que se debate entre sua preocupação genuína com o filho e seu próprio preconceito. Essa ambiguidade enriquece a narrativa e destaca a dificuldade que muitos enfrentam nas relações familiares. A ausência da mãe de Gugu traz uma camada adicional à história, oferecendo momentos de reflexão e emoção que são desenvolvidos com bom timing ao longo da trama.

Feito Pipa se destaca por seu equilíbrio entre a realidade e a fantasia, lembrando outras produções que passaram pelo Festival de Gramado. A história oferece não apenas um entretenimento de qualidade, mas também um convite à reflexão, sendo uma escolha ideal para aqueles momentos em que a vida parece um pouco sem cor.