agosto 18, 2026
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Megaprodução com Marina Ruy Barbosa e Lázaro Ramos enriquece visual e resume a narrativa.

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Megaprodução com Marina Ruy Barbosa e Lázaro Ramos enriquece visual e resume a narrativa.

Um mistério ao estilo “quem matou?” ambientado no Polo Sul é o pano de fundo de Antártida, que, curiosamente, foi filmado no calor do Rio de Janeiro. A produção mistura suspense e drama, centrando-se também na importante questão da violência contra as mulheres. A trama se desenrola quando uma das personagens é vítima de um crime, levando todos os homens a se tornarem suspeitos e suscitando o debate acerca do discurso recorrente do “mas nem todo homem”.

A história se passa em uma base de pesquisa brasileira na Antártida, onde cientistas e militares convivem. Com a chegada da pesquisadora Inês, vivida por Marina Ruy Barbosa, a atmosfera se torna tensa após ela sofrer um abuso sexual, sem saber a identidade do autor. A comandante da base, Elizabeth, interpretada por Andréa Beltrão, inicia uma investigação em que todos os homens são interrogados, gerando desconforto e desconfiança tanto nas protagonistas quanto no público.

Antártida usa suspense para discutir violência

A proposta da investigação é um dos pontos altos do filme. Apesar de reconhecer que “nem todo homem” é violento, a produção levanta uma questão fundamental: como saber quem realmente é? Cada homem presente na base exibe comportamentos que podem sugerir um potencial violento, tornando o clima incerto e inquietante. Marina Ruy Barbosa traz profundidade à sua personagem, que enfrenta o trauma do abuso, mostrando suas reações de medo e raiva que evoluem para um sentimento de culpa, comum entre muitas vítimas.

Além do enredo principal, o filme apresenta a relação entre um casal interpretado por Leandra Leal e Lázaro Ramos, que se reencontra 23 anos após “O Homem Que Copiava”. Essa dinâmica acrescenta outra camada à discussão sobre a violência que muitas mulheres enfrentam diariamente, revelando como esses atos, muitas vezes rotineiros, passam despercebidos.

Excesso de tramas prejudica desenvolvimento do filme

No entanto, ao final, a sensação que fica é que Antártida poderia ter se beneficiado de uma estrutura mais longa, como a de uma série, dada a quantidade de tramas paralelas exploradas em apenas 93 minutos. A luta de Inês é intercalada com questões pessoais da comandante, dilemas dos suspeitos e problemas técnicos enfrentados na base, tudo isso sem um aprofundamento adequado, resultando em um enredo disperso e superficial.

Embora o filme aborde temas como a violência contra a mulher e a masculinidade tóxica, a falta de profundidade na exploração dessas questões prejudica a narrativa. A solução para os conflitos apresentada parece pouco coerente, especialmente para um grupo de personagens que supostamente é bem treinado. A sensação é de uma explicação rasa que não se conecta adequadamente aos significados mais profundos dos assuntos tratados.

Por outro lado, o visual de Antártida é um dos seus maiores trunfos, com uma produção que impressiona pela tecnologia empregada. Os Estúdios Globo, que oferecem mais de 1500 metros quadrados de espaço, conseguiram criar um ambiente que simula com sucesso as extremas condições do Polo Sul. A combinação de efeitos visuais e práticos traz uma estética rica que, mesmo que a história não possua a mesma força, proporciona uma experiência estética que vale a pena ser vista nas telonas.

Assistido no 54º Festival de Cinema de Gramado