Snapchat prioriza vídeos de criadores humanos e exclui conteúdo gerado por IA

O Snapchat decidiu rever suas diretrizes e publicou que seu algoritmo de recomendações irá favorecer vídeos criados por humanos na funcionalidade Spotlight, deixando de lado aqueles que são gerados completamente por inteligência artificial. Essa mudança surge em uma época em que a preocupação com a transparência do uso de IA se intensifica, especialmente entre os usuários mais jovens da plataforma, que compõem a maior parte de seu público.

A preocupação da Geração Z com a IA é um fator significativo a ser considerado. Uma pesquisa da Gallup revelou que 42% dos jovens dessa geração sentem ansiedade relacionada ao uso de inteligência artificial, apesar de mais da metade deles utilizar essa tecnologia pelo menos uma vez na semana. Uma crescente insatisfação em relação à IA aponta para uma crítica que pode influenciar decisões das plataformas digitais em busca de um ambiente mais seguro e autêntico.

Embora o Snapchat não tenha mencionado explicitamente a nova lei de transparência da UE sobre IA, sua decisão de não recomendar conteúdo totalmente gerado por máquinas parece coincidir com a implementação dessa legislação. A nova norma exige que plataformas e editores divulguem o uso de inteligência artificial, embora existam exceções para rotular esse tipo de conteúdo.

No dia 31 de julho, a empresa anunciou que vídeos gerados exclusivamente por IA não seriam mais recomendados na funcionalidade Spotlight. Em comunicado, a companhia ressaltou a importância de manter o Spotlight como um espaço para criatividade autêntica de pessoas reais. A ideia é valorizar a originalidade e a narrativa pessoal, em um momento em que o conteúdo de baixa qualidade gerado por máquinas se torna cada vez mais comum.

Este passo segue uma declaração anterior em abril, quando o Snapchat já havia sinalizado sua intenção de priorizar o conteúdo autêntico e feito por humanos, criando, assim, um cenário em que plataformas sociais podem se distanciar do excesso de conteúdo gerado automaticamente.

A reação a essa política foi mista nas redes. Enquanto muitos usuários no X (anteriormente conhecido como Twitter) apoiaram a decisão, outros aproveitaram a oportunidade para criticar a quantidade de anúncios que o Snapchat veicula. Comentários indicaram que a maioria dos críticos não se identificou como usuários ou criadores de conteúdos na plataforma.

Um usuário, que não utiliza o Snapchat, questionou o que realmente constituiu o conteúdo gerado totalmente por IA, sugerindo que, na maioria das vezes, a criação é um esforço colaborativo que envolve a interação humana. Outro comentou que a rejeição à IA pode se tornar uma tendência importante no futuro, argumentando que muitos usuários ainda buscam interações verdadeiramente humanas nas mídias sociais.

Em tempos em que o debate sobre a integração da inteligência artificial nas mídias sociais e na publicidade ganha força, decisões como a do Snapchat podem influenciar o comportamento dos usuários e o futuro do marketing digital. As marcas e profissionais de marketing devem estar atentos a essas mudanças e considerar como a autenticidade e a interação humana podem ser integradas em suas estratégias, garantindo que a criação de conteúdo ressoe com as expectativas e preocupações dos consumidores contemporâneos.

Crédito da imagem: divulgação/reprodução