A terceira temporada de “A Casa do Dragão”, da HBO Max, ressaltou que uma guerra não é vencida apenas com a força dos dragões. A série evidenciou que cada vitória impõe altos custos e que um único movimento pode modificar drasticamente o equilíbrio do conflito entre os diferentes lados. O final da temporada aumentou a tensão entre os grupos conhecidos como Verdes e Pretos, indicando que a chamada Dança dos Dragões está caminhando para um confronto cada vez mais devastador. Ao mesmo tempo, a narrativa continua a gerar debates entre os fãs ao deixar algumas decisões cruciais em aberto, e uma delas diz respeito ao personagem Daemon Targaryen, interpretado por Matt Smith.
Excesso de confiança ou estratégia?
Para compreender o dilema de Daemon, é preciso voltar ao início da temporada, especificamente ao terceiro episódio. Nesse momento, Daemon força Ormund Hightower, interpretado por James Norton, a se render para evitar que seu exército seja dizimado por três dragões. No entanto, mais tarde é revelado que Hightower o enganou, entregando um falso herdeiro em vez do verdadeiro Daeron Targaryen, interpretado por Benjamin Evan Ainsworth. Além disso, Hightower assume o controle de uma cidade que os Targaryen não podem atacar sem colocar seus súditos em perigo, acendendo uma dúvida entre os fãs: se Daemon acreditava ter capturado Daeron, por que não ficou também com o dragão do príncipe?
Uma possível explicação para esse questionamento é que Daemon considerava suficiente separar o cavaleiro do dragão. Sem seu montador, Daeron não seria uma ameaça imediata, e o foco de Daemon poderia estar em eliminá-lo para romper esse vínculo. O dragão, por sua vez, sozinho, não representaria um perigo tão grande naquele momento. Outra teoria sugere que a relação de Daemon com as criaturas voadoras é tão forte que, mesmo sendo um dos personagens mais cruéis da série, ele demonstra um profundo respeito pelos dragões como parte do legado da Casa Targaryen. Matar um deles, provavelmente, nunca seria uma opção para o príncipe, mesmo em tempos de guerra.
Um furo de roteiro ou apenas uma explicação incompleta?
É possível que Daemon realmente desejasse capturar o dragão, mas isso não fosse sua prioridade naquele instante. Uma indicação disso é a presença de um homem ferido que aparece no final do episódio, se apresentando como um tratador de dragões enviado especificamente para manejar o animal, uma vez que lidar com essas criaturas exige conhecimento especializado. Contudo, a forma superficial como a série aborda esse detalhe pode ter levado parte do público a interpretá-lo como um erro de roteiro.
No entanto, parece mais correto afirmar que isso não é um furo de roteiro, mas sim uma explicação pouco desenvolvida. A série deixa pistas suficientes para justificar a decisão de Daemon, mesmo que não as explique de forma clara. Essa escolha se alinha à personalidade do personagem, cuja autoconfiança frequentemente leva à subestimação dos adversários. Agora, resta saber se esse pequeno dragão se tornará um problema maior do que Daemon realmente previra.
