Dirigido por Eli Roth, o filme “O Sorveteiro” tem gerado intensa discussão nas redes sociais sobre a revitalização dos filmes de terror trash. Prestes a ser lançado nos cinemas, o longa se destaca por sua abordagem inusitada e pelo uso criativo de elementos como a inteligência artificial, além de se pautar por um estilo nostálgico que remete aos anos 80. Roth não esconde sua intenção de trazer uma obra que, embora possa ser classificada como trash, carrega uma carga significativa de entretenimento e crítica.
O conceito deste filme curioso começou a ser desenvolvido há 23 anos, algo revelado pelo próprio diretor em uma entrevista. Roth recorda que, em um dia comum em 2003, teve a ideia inicial ao avistar um vendedor de sorvete, que despertou memórias de sua infância. “Pensei: quem é esse cara? Poderia muito bem ser um assassino em série”, refletiu Roth, apontando a conexão entre a música do vendedor e um impulso quase involuntário que ela cria nas crianças.
Os desafios da produção foram tão únicos quanto o conceito do filme. Roth compartilhou que o processo de filmagem foi caótico, principalmente por contar com um grande número de figurantes e crianças. “A parte complicada é que você tem que dar uma pausa para as crianças a cada 45 minutos”, explicou. Isso se tornou um desafio ainda maior em dias quentes, quando as crianças precisavam lidar com figurinos pesados e cenas com efeitos especiais de sangue e vísceras.
Com um relato engraçado, Roth descreveu uma situação em que, enquanto tentavam filmar uma cena com um grande número de crianças, o caos se instaurou devido a uma abelha que invadiu o set. “As crianças ficaram muito agitadas e a cena teve que ser interrompida. Uma abelha estava dirigindo meu filme!”, brincou o diretor, que se viu obrigado a adaptar sua abordagem à espontânea energia infantil.
Embora as filmagens tenham apresentado uma série de desafios, Roth recebeu um retorno positivo dos pais das crianças envolvidas, que agora sentem-se mais confortáveis em apresentar filmes de terror aos filhos, vendo que eles compreendem melhor os efeitos e a maquiagem assustadora, além de saberem que tudo é ficção. “Foi uma experiência realmente gratificante”, finalizou o diretor, destacando o envolvimento crítico do público jovem com o gênero.
